A dor do parto

“Na hora de fazer você não gritava dessa maneira, né?”

“Não chora não, se acostume. Porque ano que vem você tá aqui de novo!.”

“Se você continuar com essa frescura, eu não vou te atender.”

“Cale a boca! Fica quieta”.

 

Chocante não é mesmo? Mas são exatamente essas frases que cotidianamente ouço de mulheres que deram à luz e resumem a dor, a humilhação que sofreram no parto. Outros relatos frequentemente incluem: comentários agressivos, xingamentos, ameaças, discriminação racial e socioeconômica, exames de toque abusivos, agressão física e tortura psicológica.

 

Por falta de conhecimento, muitas vezes essas mulheres estão sozinhas, pois são impedidas de ter um acompanhante, o que fere a Lei Federal nº 11.108/2005.

 

Acredito que toda mulher deve ser protagonista de sua história e, assim, deve ter total poder de decisão sobre seu corpo, liberdade para dar à luz e acesso a uma assistência à saúde adequada, segura, qualificada, respeitosa, humanizada e, principalmente, baseada em evidências científicas. Para isso, no pré-natal, durante o parto e no período pós-parto, a mulher precisa ter apoio de profissionais e serviços de saúde capacitados que, acima de tudo, estejam comprometidos com a gestação.

 

O nascimento de um filho é um momento marcante na vida da mulher, ou pelo menos, deveria ser! Infelizmente muitas vezes são lembrados como uma experiência traumática na qual a mulher se sentiu agredida, desrespeitada e violentada por aqueles que deveriam estar lhe prestando total assistência.

 

A dor do parto, na maioria das vezes é relatada como a dor da solidão, da humilhação e da agressão, com práticas institucionais da saúde que criam ou reforçam sentimentos de incapacidade, inadequação e impotência da mulher e de seu corpo, claro que não se pode generalizar.

 

Como representante das mulheres e, em nome das usuárias do Sistema de Saúde, reivindico incansavelmente intervenções urgentes no pré-parto e nascimento de nossas crianças. Parto sem violência, com respeito, com assistência e informação é o mínimo que deveria ser ofertado às mulheres, neste, que é um dos momentos mais especiais de nossas vidas.

 

A luta é contínua e acredito que demos um grande passo ao aprovarmos na Câmara de Vitória, a lei nº: 9.060/2016, que institui o Plano Municipal para a Humanização do Parto, para que frases como as que iniciei este texto, passem a deixar de existir.

 

 

Vereadora Neuza de Oliveira

Data de Publicação: segunda-feira, 15 de maio de 2017

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