Comissão de Educação recebe Reitores da Ufes e Ifes

Os reflexos do contingenciamento de verbas federais para a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e para o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) foram demonstrados nesta quinta-feira (06/06) aos vereadores pelo reitor Reinaldo Centoducatte (Ufes) e pelo pro-reitor Luciano Toledo (Ifes). Recentemente, o Ministério da Educação anunciou o corte de 30% nas verbas de custeio para as instituições de ensino federais.

A mesa de debates foi composta pelo presidente da Comissão de Educação o vereador Roberto Martins (PTB), a vereadora Neuzinha de Oliveira (PSDB) e os representantes das instituições federais e pela aluna de Direito da Ufes, Isabela Mamedi.

 

O reitor da Ufes, Reinaldo Centoducatte alertou que a universidade já estava num contingenciamento de 60% no custeio e 90% no capital quando o Ministério da Educação determinou o corte de 30%.

O reitor descreveu a Ufes e mostrou a importância dela para a sociedade capixaba. “A nossa universidade é a única federal aqui no ES. Temos quatro campi que oferecem 103 cursos de graduação e nove cursos à distância. São mais de 21 mil alunos para 1,7 mil professores efetivos. Mais de R$ 2 milhões são aplicados no programa de bolsas e estágios”, disse.

O montante de gastos com pessoal de terceirizados, convênios e bolsas da universidade é de R$ 35 milhões.

“A universidade já contou com 800 servidores e hoje são apenas 410. Isso significa, claro, perda de qualidade nos serviços e menos recursos para as famílias do Estado”.

Segundo ele, os cortes são no funcionamento de custeio onde anualmente são gastos R$ 70 milhões. “Para 2019 temos somente R$ 17 milhões, o que não será suficiente para fechar o ano. Se houver o corte, teremos um déficit de R$ 30 milhões”, alertou.

Centoducatte informou que atualmente as universidades federais têm mais de 70% dos seus estudantes com renda familiar per capta inferior a 1,5 salários-mínimos. “Então, cobrar mensalidade como forma de angariar recursos para sustentar a universidade está totalmente fora de qualquer tipo de possibilidade”.

Para se ter uma ideia, o restaurante da Ufes oferece mais de 800 mil refeições por ano letivo, sendo que 60,59% dessas refeições são para estudantes assistidos, portanto, não são cobradas.

Sobre a relevância da instituição no meio acadêmico, o reitor conta que a Ufes aumentou de 250 trabalhos publicados em revistas indexadas internacionais para 1.250 publicações.

Em relação aos projetos de extensão, que atendem diretamente a comunidade, o reitor disse que a Ufes oferece 851 projetos de extensão e atende cerca de dois milhões de pessoas por ano, em todos os municípios do Estado. Dentre esses atendimentos estão os serviços do: hospital universitário, Museu de Ciência, Planetário, dentre outros.

Dando sequência às informações sobre os institutos federais do Espírito Santo, Luciano Toledo, Pró-Reitor do Ifes, apresentou o Instituto, que foi criado em 1910.

Conforme ele disse, o Ifes se diferencia da Universidade porque oferta uma educação focada na formação de professores e na formação tecnológica. Os cursos dos campi são voltados aos arranjos socio-produtivos locais. Além disso, o Ifes tem parceria com mais de 30 países.

“Nossos alunos se destacam em termos de qualidade de aprendizagem em nível mundial”, afirmou. “O campus de Vitória frequentemente figura entre as dez melhores instituições de ensino no Enem”.

Ele destacou alguns programas sociais como o “Mulheres Mil”, que foca no atendimento de demandas de profissionalização e geração de renda de mulheres em situação de vulnerabilidade social. Ele citou também o curso de formação para treinadores de cães-guia, e programas de inclusão para jovens em situação de marginalização.

“Nosso orçamento é de R$ 89 milhões. Se o corte prosperar teremos 36,92% do orçamento de custeio bloqueado o que será o pior orçamento do Ifes nos últimos anos”, disse.

Ele continua: “incluindo a folha de pagamento, que é mais de 82% do orçamento global, cada aluno do Ifes custa R$ 17 mil reais por ano. Esse é um custo muito razoável considerando tudo que o Instituto oferece. Esse recurso volta para o país ao colocarmos profissionais preparados no mercado”, ressaltou.


A aluna de Direito da Ufes, Isabela Mamedy, falou sobre o que fazer nesse momento de crise na educação. Ela descreveu a importância da universidade pública e dos empreendimentos que ela oferece para a sociedade.

“Se não tivermos um financiamento público para a pesquisa, (ele) não virá do lado contrário. O que fazer? Se não disputarmos junto com a sociedade capixaba a defesa desse espaço, será muito difícil mantê-lo”, falou Isabela.

Ela defendeu a união das escolas e da sociedade com esse propósito. “A estratégia é disputar o orçamento de maneira muito séria. A Ufes e o Ifes são nosso patrimônio, não podemos ser reativos. Quando a gente se organiza e defende que educação não pode ser tratada como mercadoria, essa discussão tem que ser feita em todo local. Com a universidade não se negocia!”, declarou.

Tiago Martins perguntou sobre o orçamento da Ufes e sobre a parceria do Iases com o Ifes. O reitor da Ufes respondeu que o orçamento fica em torno de R$ 926 milhões incluindo folha de pagamento para ativos e aposentados, auxílios-alimentação e transporte. “Excluindo isso, sobram R$ 70 milhões para o restante e é justamente esse o montante que estão querendo cortar”.

Luciano Toledo confirmou a parceria do Ifes com o Iases para educação profissional e disse que gostaria de ampliar a parceria com os meninos do Iases. “Às vezes faltam recursos para fazer os cursos de capacitação, mas estamos tentando captar recursos para isso”, assegurou.

O representante do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes, Lucas Martins acredita que não está se vivendo uma crise educacional, já que não há articulações, projetos ou pensamentos em torno da educação. Para ele, “a crise é por haver intenções e projetos da via privatizante da educação pública que estão colocando em disputa, no seio da sociedade, o futuro do país”.

Segundo ele, a luta é pela educação pública. “O sentimento que está colocado hoje é o da construção de um projeto educacional diferenciado pela sua soberania nacional e em defesa da universidade pública e dos institutos federais”, disse.

Ele perguntou à Mesa o que está sendo agendado pela Ufes e pelo Ifes para mobilizar a sociedade para esse fim.

Centoducatte contou que está se articulando uma Frente ampla em defesa da democracia com representações internas na universidade. “Iniciamos no Parlamento Brasileiro uma Frente de Apoio pela valorização das universidades, e articulações em defesa da educação com a adesão de mais de 300 parlamentares”. Além disso, o reitor relatou que quer mostrar para a sociedade a importância da instituição para que a sociedade tome essa defesa.

O Ifes segue nesse mesmo sentido. O pro-reitor Luciano Toledo disse que acredita na força da sociedade e que “está colocando muita energia em informar a sociedade adequadamente, divulgando os números reais e o valor da educação”.

Em acréscimo, ele afirmou que cada instituição está se organizando para fazer reuniões com o Ministro da Educação para lutar pelo direito da sociedade a ter acesso à educação.

Isabela Mamedy destacou que precisa-se apresentar quais são os caminhos razoáveis para fechar o orçamento, como angariar recursos, apresentando alternativas para as medidas governamentais. Ela propôs como alternativa fortalecer as instituições, desvinculá-las da privatização, promover a abertura de concursos públicos para caldeireiros, seguranças e outras funções que, segundo ela, “nos obrigam a estar em licitações muito caras”.

Ao final, o vereador Roberto Martins reforçou a importância dos movimentos estudantis. "Lembrando que a luta pela educação não é algo que começou agora. Há anos vemos a movimentação de alunos e professores que buscam melhorias", reforçou o vereador.  

Estiveram presentes os vereadores: Roberto Martins (PTB); Neuzinha de Oliveira (PSDB) e Leonil Dias (PPS).

 

Texto: Fátima Pittella
Fotos: Rhuan Alvarenga

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Data de Publicação: quinta-feira, 06 de junho de 2019

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