Frente Parlamentar debate invisibilidade e loja de rua gratuita

 

A Frente Parlamentar de Enfrentamento à Situação de Rua, criada para buscar políticas públicas que atendam a esta população na Cidade de Vitória, recebeu nesta sexta-feira (30/11), os convidados: Jéssica Barcellos Bastos, do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública; e a dupla Felipe Mello e Nilza Fontoura Galter, membros do coletivo de pessoas que representa a realização da ação global World Street Day Store, a "loja de rua gratuita para os sem abrigo" de Vitória.

 

A representante da Defensoria Pública, Jéssica Barcellos Bastos, apresentou o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com o tema "Invisibilidade, Reconhecimento e Direito: Um Olhar Sobre Marcas e Memórias da População de Rua", que resultou também em trabalhos de xilogravura que retratam sua experiência com essas pessoas e o resultado de sua pesquisa.

 

"O objetivo do meu trabalho foi fazer algo importante para mim e para essas pessoas, que são vistas como corpos sem valor no espaço urbano, então eu fiz essa alusão com o uso de madeiras de pouco valor para fazer a xilografia", explicou Jéssica Barcelos. "Elas retratam em imagens a minha convivência com a dor das pessoas em situação de rua e suas histórias. Foi muito importante para mim a escuta de qualidade, para conhecer a experiência e a situação da outra pessoa e poder retratá-la. A pessoa de rua é invisível na sua dor, e só se torna visível no aspecto criminal. E eu também falo sobre a população LGBT, a mulher em situação de rua, que são narrativas diferentes, ampliando o risco de estupro e prostituição", destacou.

 

Na parte escrita do TCC, Jéssica abordou a necessidade de um olhar sensível sobre a população de rua, onde essas pessoas são vistas como "lixo", tal qual a madeira que ela utiliza nas xilogravuras. "As pessoas, na maioria, são vistas como usuárias de drogas, quando o vício é um escape para essa situação de invisibilidade, desrespeito, brutalidade, falta de amor, que ampliam a situação de pobreza. E ao contrário do que a maioria pensa, a maioria delas trabalha de alguma maneira, não é pedinte, e foi para rua por vários problemas, piores do que a brutalidade que vivenciam nas ruas", afirma.

 

A pesquisadora destacou também que a população de rua tem uma grande revolta com tudo que está ligado ao Poder Público, que é visto como inimigo. "Há uma identificação com a repressão, com ações que objetificam essas pessoas, e que não se interessam realmente por elas", lamentou. "Então, no meu trabalho, eu destaco a importância da escutatória, principamente no Direito. De saber ouvir, de tratar as pessoas na sua individualidade, com dignidade, para realmente entendê-las e produzir algo verdadeiramente útil para elas", concluiu.

 

 

Felipe Mello e Nilza Fontoura Galter se revezaram no púlpito para apresentar ao público o evento Ação Global World Street Day Store, a "loja de rua gratuita para os sem abrigo" de Vitória, que será realizará no próximo dia 09/12 (domingo), de 8h às 13h, inicialmente previsto para ocorrer na Praça Costa Pereira. A dupla faz parte de um coletivo de voluntários livres, criado há cerca de dois meses, por pessoas que abraçaram o ideário do movimento internacional World Street, que já atinge várias cidades do mundo, com o objetivo de realizar ações públicas para as pessoas em situação de rua.

 

"Não somos uma ONG, nem uma organização vinculada a nenhuma instituição pública ou privada, mas sim um coletivo de pessoas que se reuniu e abraçou essa ideia. O nome é internacional, mas vamos chamar aqui de loja de rua, onde a intenção não é vender, mas doar", esclareceu Mello. O movimento surgiu na África do Sul em 2014 e, rapidamente, se alastrou por cerca de vários países. O objetivo é a doação de roupas, itens pessoais e serviços para a população de rua por meio de uma espécie de "loja" montada em espaço público, onde os beneficiários são tratados como clientes, e encaminhados por voluntários para escolher roupas do seu número, do seu gosto, como numa loja convencional.

 

O World Street realiza uma ação mundial anualmente, que ocorrerá no dia 09/12, envolvendo 90 cidades dos EUA, México, África do Sul e outros países. Vitória é a única cidade brasileira que participará do evento, representando o País, o que os membros do coletivo consideram uma honra para a Cidade. O evento segue um padrão internacional e é feito à base de doações.

 

"Já temos mais de 3 mil itens doados e muitos apoios. O beneficiários são recebidos numa loja montada com araras e caixas de papelão, onde são apresentados os itens da loja, e orientados sobre as doações adequadas, no seu número e do seu gosto. E depois é servido um lanche. Agora o que queremos é agregar mais serviços para tornar o evento mais atrativo. Teremos corte de cabelo, doação de livros, e queremos agregar ainda mais, por isso toda doação é bem vinda", ressaltou Mello. "Estamos muito felizes com esse espaço aqui, hoje, e pelo contato com o Movimento de População da Rua, porque mais importante que a divulgação é atingir os beneficiários. Ficamos muito gratos", destacou.

 

Nilza Fontoura Galter solicitou também auxílio para colaborações como um ônibus para que os beneficiários possam tomar banho, ou uma tenda para a possibilidade de chuva. "Nosso objetivo é oferecer acolhimento de qualidade, reunir instituições, receber com igualdade de gênero e contribuir para a redução de desigualdades, além de inserir Vitória na participação desse movimento, mostrando que juntos somos mais fortes", acrescentou.

 

O vereador Mazinho dos Anjos, presidente da Frente Parlamentar, parabenizou os convidados e os voluntários pelo evento da Loja de Rua e afirmou que os vereadores vão fazer contato com a PMV para que ela não só autorize a liberação da Praça Costa Pereira para o evento como também possa participar, incorporando mais benefícios, entre outras sugestões.

 

O representante do Movimento da População de Rua, Bruno Donato, agradeceu ao vereador Mazinho e demais vereadores que compõem a Frente. "Esse é um espaço muito importante para nós, que lutamos pela população de rua, e quero dizer que os senhores estão fazendo um papel muito importante aqui nessa casa, onde a população de rua não é tratada de forma higienista, e que nos sentimos contemplados e felizes com a chegada de cada novo parceiro, como hoje. Estamos muito gratos", finalizou.

 

Após o debate, a Frente tratou das respostas aos pedidos de informação feito à PMV, sobre o Fundo e o Conselho Municipal de Assistência Social de Vitória (Comasv), e decidiu que os representantes da Frente vão acompanhar o trabalho desenvolvido pelo Conselho. Também estiveram presentes os vereadores Roberto Martins (PTB) e Davi Esmael (PSB).

   

   Texto: Mágda Carvalho

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Data de Publicação: sexta-feira, 30 de novembro de 2018

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